Quarta-feira, 3 de Março de 2010

Vale a pena?


Quando se sofre o tempo parece parar, congelar como se algo fosse colocado no congelador de modo a conservar as suas propriedades naturais, assim como ironicamente congela o sofrimento que me consome, o relógio fica silencioso, quase inexistente, até chego a sentir saudades daquele barulho irritante e sistemático, tic tac tic tac, os meus pés levam-me até a janela, noto que o vento também se foi, também me abandonou, não corre uma brisa…sinto o liquido vermelho que tenho dentro de mim a percorrer as minhas veias lentamente, sinto o meu corpo a gelar cada vez mais, sem qualquer capacidade de o aquecer, tentativas involuntárias e falhadas que mais uma vez me mostram a fragilidade viva que carrega um coração apaixonado. Este monstro que adoptei com todo o carinho devora a minha alma pacificamente, com golpes certeiros esquarteja o meu coração já mutilado pela dor da tua perda, sinto-me paralisada, em cada golpe certeiro sinto os meus lábios soltarem um grito mudo que fica encurralado nas paredes do meu quarto, as janelas aprisionam-nos sem qualquer possibilidade de fuga, vozes que ecoam na minha cabeça sem nunca se cansarem, oferecem-me uma loucura desmedida e incontrolável que me impedem de te esquecer, sinto-me a enlouquecer, esta insanidade morbidamente violenta que consome o que resta de mim, olho me ao espelho, vejo uma face que não reconheço, um estado de espírito vegetativo que me deixa inerte a nova descoberta, este olhar vazio de advinha o meu fim, será que é a isto a que chamam de amor? Não há uma única história de amor contada sem uma lágrima derramada, desastres emocionais e aos olhos de alguém completamente banais gerem as nossas vidas vazias de amor-próprio e cheias de amor por alguém, alguém sem nexo ou qualquer tipo de valor, pesadelos vividos todos os dias, durante anos, de facto… “sonhos foram feitos para serem sonhados, e pesadelos para serem vividos”, não sei quem escreveu esta frase, mas acredito que estivesse num estado de sofrimento profundo, se calhar na mais profunda insanidade, insanidade essa que depois de anos a ser a tua companheira, já não sabes viver sem ela, criamos mundos privados aos quais não permitimos a entrada a estranhos… Divulgada assim a noticia do nosso suicídio mental, afinal… será que vale a pena continuar ou pelo menos a tentar viver desta maneira?

By: Catarina Carmo

2 comentários:

Anónimo disse...

I am here

Gothicum disse...

gostei do que li por aqui...excelente escrita!

abraço