Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Sem vida...


Consegues te imaginar a perder o que mais amas? Quando o que mais desejas simplesmente desaparece de ti, é como se te tirassem o tapete de baixo dos pés, como se sentisses a tua alma a desaparecer aos poucos, quando entras num estado de agonia imensa que te tortura, que te aperta o pescoço delicadamente ao mesmo tempo que olha intensamente nos teus olhos e admira a vida que começa a desaparecer entre os seus dedos, quando perdes qualquer capacidade de pensar ou agir, quando sentes os teus pulsos amarrados a um poste de madeira velha no qual é impossível te soltares, quando te fechas no teu quarto e sentes uma aflição de tal maneira para esconderes as marcas auto infligidas nos teus braços provocadas pela tua mão direita e aquela faca que te acompanha para todo o lado, a tua fiel companheira nos maus momentos quando todos te abandonam, quando sentes que não há ninguém ao teu lado, quando abres a boca e articulas e não sai uma única palavra, quando não consegues sequer expressar o que sentes, quando desistes… quando não existe nada a não ser barreiras forçadas a tua frente que te fazem cair cada vez mais, quando não existe uma mão para te levantar, não há uma saída sequer, quando escolheste este jogo, sabias que a aposta ia alta, mas era algo que precisavas, sabias que isso te ia rebentar, que te ia causar aquela auto destruição que conheces tão bem, que simplesmente adoras, quando a tua volta tudo e sofismo e surreal, quando nada nem ninguém tem valor, quando fechas os teus olhos vermelhos e te sentes palpitar por dentro, o teu cérebro parece que vais explodir dentro de ti, a tua cara arde de tão inchada e molhada que esta, as gotas salgadas que escorrem de dentro dos teus olhos, de dentro da tua alma, quando entras num estado de depressão tal, as únicas palavras que soam na tua cabeça, são palavras que te incentivam a terminar com tudo, que te mostram que não há mais nada por que lutar... o teu corpo se move sem tua autorização, sentes algo frio nas tuas mãos, “abre os olhos” ouves uma voz serena na tua mente… “olha, esta na altura, não tenhas medo…” lentamente abres os teus olhos e reparas que a tua fiel companheira esta nas tuas mãos novamente… levantas a cabeça e olhas para o vazio, olhas para o teu reflexo no espelho, pela primeira vez te reconheces, pela primeira vez consegues perceber a tua essência… lentamente apontas a lamina afiada e reluzente da tua fiel companheira, e direccionas ao coração… Inspiras profundamente e pressionas a lamina contra o teu peito, lentamente a medida que a pressionas vais deixando sair a tua ultima lufada de ar, sentes uma dor excruciante que penetra a tua alma, ironicamente com este acto, com esta dor sentes finalmente aquela paz que tanto lutaste para ter, que sempre escapou por entre os teus dedos te levando ao mais profundo desespero interior, agora que a tens para sempre… fechas os olhos, os teus lábios mostram um sorriso perdido há muito nas profundezas da tua alma, cai assim, o teu corpo sem vida…

By: Catarina Carmo

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